Duas Primeiras Vezes: Beach Tênis e Café Psicanalítico
Beach tênis e café psicanalítico no Instituto Plural, duas experiências novas e bem diferentes, e o que Winnicott tem a ver com o motivo de as duas terem dado certo.
Nos últimos dias vivi duas experiências novas: joguei beach tênis pela primeira vez e participei do meu primeiro café psicanalítico, no Instituto Plural. Coisas bem diferentes entre si, mas quando parei pra pensar, percebi que as duas dependiam da mesma coisa: um grupo de gente conseguindo encaixar um horário na agenda pra fazer aquele momento acontecer.
Registro do encontro no Instituto Plural, espaço dedicado à Psicanálise e à Psicologia em Bagé.O café psicanalítico eu não sabia bem o que esperar. Imaginava algo mais formal, quase uma aula. Antes de entrar, bateu um medo de me sentir isolada, porque parecia que todo mundo ali já se conhecia. Fui mesmo assim, e descobri que não tinha nada disso — era só gente sentada em roda, café na mesa, uma pergunta disparando a conversa, e todo mundo super acolhedor. O que mais me chamou atenção foi ver gente discordando e mudando de ideia no meio da própria fala, sem estar ali pra ter razão — só pensando junto mesmo.
O beach tênis foi o oposto: zero teoria, só o jogo. Mas o efeito foi parecido — sair de casa, encontrar gente, fazer parte de algo que só existe porque várias pessoas decidiram aparecer.
Quadra de beach tênis onde joguei pela primeira vez.Isso me fez pensar em como boa parte do que vale a pena — inclusive coisas simples — depende de comunidade. Winnicott tem uma ideia que gosto de lembrar: a capacidade de ficar sozinho, de forma saudável, se desenvolve na presença de outra pessoa. A gente só aprende a estar bem consigo mesmo tendo sido, antes, acompanhado. Faz sentido também pro lado de fora: experimentar coisas novas fica mais leve quando não é sozinho.
Sigo colecionando essas primeiras vezes. E gostando de perceber que a maioria delas só aconteceu porque teve gente do lado.