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Tecnologia e Psicologia02 de Agosto de 2026

Como o Haven protege o que você escreve: a chave pública, a chave privada e o cofre de código secreto

Uma explicação sem jargão de como a criptografia do Haven garante que ninguém — nem eu, nem os servidores — consiga ler o que você escreve.

Uma das perguntas que mais recebo sobre o Haven é: "mas como vocês garantem que ninguém vai ler o que eu escrevo?" É uma pergunta justa — e a resposta não é "confia em mim", é matemática. Vou tentar explicar sem jargão técnico.

Duas chaves, dois papéis diferentes

Imagine uma caixa de correio na sua rua. Ela tem uma fresta na frente, por onde qualquer pessoa pode colocar uma carta — e uma porta na frente, que só abre com uma chave.

  • A fresta é a sua chave pública. Você pode divulgar ela livremente, entregar para qualquer pessoa, publicar num perfil. Não tem problema nenhum alguém saber qual é — porque saber a fresta não te dá acesso ao que está dentro da caixa. Só permite que alguém coloque algo lá dentro, trancado.
  • A porta com fechadura é a sua chave privada. Só você tem essa chave. Depois que uma carta entra pela fresta, ninguém — nem quem a enviou — consegue tirá-la de volta sem essa chave.

No Haven, cada pessoa (paciente e psicólogo) tem seu próprio par de chaves assim. Quando você quer compartilhar um registro com sua psicóloga, você usa a chave pública dela para trancar o conteúdo. A partir daí, só a chave privada dela consegue abrir — nem eu, nem os servidores do Haven, conseguimos ver o que foi escrito.

O problema: e se a carta for grande demais?

Aqui entra um detalhe técnico interessante. O tipo de "fechadura" usado nesse sistema (chamado RSA) só consegue trancar coisas pequenas — pense em algo do tamanho de um bilhete, não de uma carta inteira. Um registro de diário, com parágrafos inteiros, não cabe direto nessa fechadura.

Então como o Haven resolve isso? Com o que eu gosto de chamar de cofre de código secreto. Funciona assim:

  • Toda vez que você compartilha um registro, o Haven gera um código aleatório, usado uma única vez — como uma senha temporária de cofre.
  • Esse código tranca o registro inteiro, por maior que seja. Rápido, sem limite de tamanho.
  • Só então esse código pequeno (não o registro) é trancado com a chave pública da sua psicóloga — porque um código é pequeno o suficiente para caber na fechadura RSA.
  • As duas coisas trancadas — o registro e o código — viajam juntas.

Do outro lado, sua psicóloga usa a chave privada dela para abrir primeiro o código secreto, e depois usa esse código para abrir o registro de verdade. Duas fechaduras, uma dentro da outra — como um cofre que guarda o código de outro cofre.

Por que isso importa na prática

Esse desenho tem uma consequência direta: em nenhum momento o Haven — nem o servidor, nem eu como desenvolvedora — tem uma chave que abra o que você escreveu. O que passa pelos nossos servidores é só o cofre trancado, sendo entregue de um lugar para o outro. Se alguém invadisse nosso banco de dados amanhã, encontraria apenas texto ilegível.

Isso também é o que torna possível compartilhar um registro com segurança: não existe uma "chave mestra" que abre tudo. Cada compartilhamento é selado especificamente para uma pessoa, com a chave pública dela — então só ela consegue abrir aquele cofre específico.

Não é uma promessa de marketing. É a mesma lógica usada em sistemas de mensagens criptografadas ponta a ponta — só que aplicada a um espaço pensado para terapia, não para conversas casuais.

Conheça o Haven
O Haven ainda está em desenvolvimento, e essa é uma explicação simplificada de uma arquitetura mais detalhada. Se você é da área técnica e quer entender os detalhes exatos — algoritmos, tamanhos de chave, formato dos dados — me chama que eu mostro o resto.